Resenhas

Alice Através do Espelho (e o que ela encontrou lá), de Lewis Carroll

29 de Maio de 2016

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Alice Através do Espelho (e o que ela encontrou lá), de Lewis Carroll, é uma continuação da história clássica Alice no País das Maravilhas publicado pela primeira vez em 1865. O livro traz uma nova e inusitada história de uma das heroínas mais amadas da literatura. 

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Eu nunca havia lido essa segunda história e acredito que ainda deva relê-la mais algumas vezes, assim como Alice no País das Maravilhas, justamente devido a característica nonsense (sem sentido) e surrealista das histórias de Carroll. Não uma uma linearidade óbvia neste livro, tanto quanto no primeiro, e isso faz com o que leitor se sinta, assim como Alice, dentro de um sonho onde tudo é fantasioso e irracional. Essa peculiaridade é o que faz destes livros obras primas majestosas da literatura universal que encantam jovens e adultos há mais de 150 anos.

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Em Alice Através do Espelho (1971), nossa querida Alice está com 7 anos, um pouco mais madura que no primeiro livro, e está sentada em uma poltrona da sala de sua casa em uma tarde de inverno, sonolenta e observando a gata Dinah dar banho na filhotinha, Snowdrop, ao mesmo tempo em que Alice dá broncas na Kitty, a outra gatinha, por conta da bagunça que ela fez com o novelo de lã. Enquanto isso Alice fica fazendo suposições sobre o espelho que há em cima da lareira de sua casa. Sua teoria é que existe um outro mundo através do espelho, diferente daquele em que ela se encontra. E quando menos se espera, Alice está do outro lado!

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Do outro lado do espelho, Alice se depara com a Rainha Vermelha e o Rei Vermelho em um tabuleiro de xadrez na sala, de lá ela vai para o jardim e conversa com as flores e outras criaturas até conseguir chegar a um ponto alto e perceber que ela mesma se encontra em um tabuleiro de xadrez. Todos os passos de Alice são jogadas que a aproximam cada vez mais do outro lado do tabuleiro, onde ela poderá tornar-se Rainha.

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Neste novo universo criado por Carroll, Alice encontra (e reencontra) alguns personagens muito marcantes, como os gêmeos Tweedledum e Tweedledee, o Leão e o UnicórnioHumpty Dumptya Morsa e o Carpinteiro e a Rainha Vermelha e a Rainha Branca. Cada personagem é extremamente importante para complementar a história com conversas bizarras e sem sentido, as canções mais longas que Alice já ouviu, poesias e adivinhações. É preciso que o leitor esteja muito atento para perceber as nuances desse universo engenhoso e impressionante.

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Existem muitas referências à história político-econômica da Inglaterra na Era Vitoriana, mas que infelizmente perdem-se na tradução, por este motivo eu recomendo muito a leitura de uma edição com comentários, prefácio e a maior quantidade de informações extras que vocês conseguirem encontrar! Certamente muito mais da história será aproveitado e absorvido se houver uma maior contextualização. Mas de qualquer forma a história não perde sua magia ou sua inventividade se lida separadamente de quaisquer explicações.

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Há relatos de que inicialmente o livro Alice’s Adventures in Wonderland foi publicado sem especificar qual era o público alvo, infantil ou adulto, por sugestão do escritor Henry Kingsley. Essa característica pode ser percebida devido ao fato de o livro apresentar uma visão infantil, inocente e “sonhadora” de mundo, mas fazer alusão a outros temas críticos através de simbolismos, ironia, enigmas, referências linguísticas e matemáticas; além de sátiras e paródias de poemas populares da época.

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Na minha opinião, as charadas, as rimas, a linha temporal inexata e as tantas referências culturais presentes no livro, tornam-o muito desafiador para crianças e adolescentes, e talvez até uma leitura chata ou sem significado, por serem de muito difícil interpretação. Há também o fato deste segundo livro ter um clima “menos vívido e colorido” que seu precursor devido a própria vida do autor ter perdido um pouco de brilho após a morte do pai em 1868. Os desafios, a aflição e a confusão que Alice passa para chegar ao outro lado do tabuleiro também ilustram essa diferença de clima do primeiro livro, onde Alice era uma mera espectadora do espetáculo fantástico (e divertido) que se apresentava diante de seus olhos. Este é um livro muito mais guiado pelos sentidos, sentimentos e sensações que provoca no leitor, há um encantamento que ultrapassa a lógica e que mais se assemelha ao absurdo dos sonhos.

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A edição da Editora Poetisa é muito interessante para fazer essa leitura pois traz uma diagramação muito sugestiva e dinâmica, convidando o leitor a participar ativamente desta história. Cada página é uma surpresa para o leitor, assim como deve ter sido à querida Alice, ao adentrar mais uma aventura.

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Existem fontes diferentes, letras que sobem e descem, e fazem círculos na página. Páginas de cabeça para baixo ou manchadas. A designer brincou muito com a parte estética do livro, além de trazer páginas lindamente decoradas com rosas vermelhas (alguém sacou a referência? rs).

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A única ressalva que eu tenho quanto a esta edição é a ausência de notas de rodapé, comentários do tradutor quanto ao contexto histórico, um pouquinho da biografia do autor e/ou curiosidades, informações extras que acrescentariam muito à leitura e deixariam essa edição mais completa (porque linda ela já é!). Também senti falta das belíssimas ilustrações originais de John Tenniel, presentes em muitas outras edições.

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A história de Alice tornou-se um clássico literário e espalhou-se ao redor do mundo com grande impacto, sendo eternizada em filmes, séries, animações, quadrinhos, peças de teatro, e infinitas adaptações da obra. O livro também está na lista dos mais traduzidos da literatura, existem milhões de formatos e edições diferentes (cada uma mais linda e criativa que a outra!).

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É impossível contabilizar quantas referências de Alice existem em todas as mídias e quantas outras obras de diversos formatos (músicas, filmes, ilustrações, obras de arte, etc.) tiveram Alice como inspiração de alguma forma, mesmo que indiretamente. Os filmes mais conhecidos até hoje são o desenho clássico Alice no País das Maravilhas (1951) e as interpretações de Tim Burton de Alice no País das Maravilhas (2010) e Alice Através do Espelho (2016), todos da Walt Disney Studios, mas há também adaptações de diversos diretores como William Sterling (1972), Martin Scorsese (1974), Claude Chabrol (1977) e Woody Allen (1990).

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A obra é inegavelmente um deleite para o leitor, por mais que o mesmo perca o significado de alguma coisa aqui e ali entre as linhas desta história, há sempre algo de encantador e mágico que ele irá levar para si, e a sensação de acordar de um sonho sem pé nem cabeça será sempre inebriante, como são todos os sonhos. Deixe a sua imaginação voar solta, seja no País das Maravilhas ou Através do Espelho, pois o que ela encontrará por lá é inexplicável e inesquecível, uma história que atravessa o tempo e permanece eterna no coração de todos os leitores.

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Editora Poetisa: Saraiva | Submarino 

Outras edições lindas de Alice: Martin Claret | Globo Livros | Zahar (Ed. Comentada)

Editora: Poetisa
IBSN: 978-85-68790-04-5
Gênero: Clássico / Fantasia / Infanto-juvenil
Páginas: 140
Minha avaliação:★★★★★

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  • Camila outubro 17, 2017

    Eu não achei essa versão em nenhum site, poderia me indicar por favor?! Obrigada

  • Isabela Libório junho 15, 2016

    Até hoje não li as histórias originais de Alice, só adaptações, e não vejo a hora de mudar isso. Adoro coisas nonsense, cheias de viagens e doideiras, então acho que vou curtir e me identificar HAUAH Adorei a resenha e as fotos, essa edição é linda! <3

    Beijo,
    (letitbela.com)

  • Renata Maio 30, 2016

    Olá, mais uma resenha escrita por aqui …Oba!!!!!!
    Essa edição tá um luxo. Confesso que apesar de gostar muito da história da Alice ainda não li esse não, só o li o Alice no país das maravilhas e confesso que é um livro que preciso reler, pois a “falta de sentido” me intriga profundamente. Eu tenho uma edição bem pobrinha de Alice através do espelho ehehehehe…..Lindas fotos, com sempre!
    bjs

    • Juliana Cirqueira Maio 31, 2016

      Oi Rê! Pois é, tenho tentado fazer mais posts escritos por aqui! Adoro ver eles prontinhos e bonitinhos assim, hahaha. Também acho que é uma história bem confusa que o leitor precisa buscar “fazer sentido”, por isso mesmo que salientei na resenha que preciso ler outras vezes e outras edições com mais infos. 🙂
      Beijos.

  • Giulia Maio 29, 2016

    Oi, Ju!
    Essa edição é linda, já tinha visto a capa mas nunca o interior. É cada edição tão linda, né? <3
    Li esse livro recentemente também, mas confesso que gosto mais do primeiro livro!

    Beijos,
    Giulia | http://www.1livro1filme.com.br

    • Juliana Cirqueira Maio 31, 2016

      O interior é bem diferente né? Não dá pra imaginar que ele é assim olhando só a capa, hehe. Tem muita edição linda de Alice mesmo! <3

  • Luciana Maio 29, 2016

    Amei as fotos e a resenha ???