Resenhas

Redenção | Livro um: Legionella, de M. A. Costa

07 de julho de 2015

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Legionella, publicado em 2014, é o primeiro livro da série Redenção, de Marcelo A. Costa. A mistura entre thriller policial, ficção científica e distopia funciona muito bem e mantém a atenção do leitor do início ao fim! Conheça a história de Redenção, a série que está ganhando espaço na prateleira dos leitores!

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Logo de cara Redenção chama a atenção do leitor para o mundo em que o protagonista está inserido, no século XXVI, um mundo em que as pessoas estão vivendo até os 200 anos, e vivendo bem, se reinventando e evoluindo. O nosso mundo já não é mais um lugar hostil. Houveram muitas guerras no passado, porém o mundo se encontra em uma situação pacífica e estável nos últimos séculos, onde as pessoas podem migrar e circular em qualquer país dentro de seu bloco das Três Uniões – grandes blocos de países – sem serem deportadas e mantendo seus direitos, onde a tecnologia já está tão avançada que é possível transportar alimentos e objetos inanimados através de replicadores em questão de segundos, não é mais necessário matar animais para se alimentar pois já existem alimentos sintéticos idênticos – e tão nutritivos quanto – as carnes e proteínas animais. Estamos falando de um salto tecnológico extraordinário, que é até difícil de imaginar hoje em dia.

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Graças a essa ciência e tecnologia tão avançada um grupo de geneticistas tornou possível descobrir toda a árvore genealógica de um indivíduo e através disso saber se ele é miscigenado ou puro, coisa que até então seria dificílimo de desvendar geneticamente. Com essa descoberta, como era de se esperar, formaram-se vários grupos distintos de pessoas que se reuniam com sua gente, e assim também surgiram aqueles que se consideravam de “raça pura” e superiores aos demais. Pronto, nem preciso dizer que o conflito já estava formado.

A história da humanidade muitas vezes se repete: os mouros conquistando os cristãos. Os cristãos conquistando os mouros. Os negros sendo escravizados. Os judeus sendo perseguidos e exterminados.

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O narrador dessa história é o nosso próprio protagonista, Peter Brose, que trabalha com investigação e psicologia digital e é convocado junto com sua esposa Mirtes, virologista e geneticista, para auxiliar na investigação de uma perigosa epidemia, provocada por uma bactéria super potente chamada Legionella, que está acontecendo em Nairóbi, Quênia. Milhares de pessoas estão morrendo a cada dia, a bactéria leva o indivíduo a óbito em menos de 24 horas, e as pessoas são misteriosamente selecionadas, morrem apenas os miscigenados. O Dr. Brose foi convocado pois há suspeitas de que a água que está transmitindo essa bactéria tenha sido contaminada por um grupo que acredita na “limpeza genética” e que quer dizimar os miscigenados. É aí que a guerra começa.

A guerra não era contra países, povos, ou raças. Não era de brancos contra negros ou amarelos contra brancos. Não eram ricos contra pobre nem de partido político A contra partido político B. Era de um grupo genético contra o mundo. Era de quem se achava escolhido na loteria genética contra todos nós.

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A narrativa do autor é fluída, inteligente e instigante, o leitor é exposto a essa nova organização mundial e às novas tecnologias com muita riqueza de detalhes, o Marcelo não nos poupou de nenhuma explicação, o que é excelente pois o leitor fica extremamente curioso ao decorrer de todo livro, afinal de contas, o autor criou um mundo misterioso e inovador que inspira curiosidade e admiração.

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Pessoalmente a minha experiência de leitura foi maravilhosa, li o livro bem rapidinho porque ele é realmente instigante e não te deixa larga-lo um segundo. Um ponto muito forte do livro – e acho que o autor acertou em cheio! – foi a crítica social que está levemente inserida em vários trechos do livro devidamente pontuando as atitudes e ações tomadas pela nossa sociedade ao passar dos anos: racismo, xenofobia, discriminações de todo tipo, guerras sem sentido, massacres, tanta coisa ruim… E mesmo em um futuro idealizado, utópico, onde somos tão inteligentes, tão fortes, tão poderosos, ainda nos deparamos com a maldade e a crueldade tentando ganhar espaço no coração das pessoas.

O mal tem muitas faces, é traiçoeiro. Quando achamos que o domamos, teima em ressurgir.

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+ Leia sobre o conto Redenção | Metrovinos: A Origem de M. A. Costa 

Sei que os livros nos afetam e nos tocam de formas diferentes e pra mim foi isso, esse livro me mostrou o quão pequenos nós somos diante do mundo, mas o quão grandes nós somos que podemos mudar tudo, seja para o bem ou para o mal, inúmeras tragédias já aconteceram para nos provar isso, o quanto o ódio ou o amor das pessoas (ou de uma só pessoa) pode mudar tudo. Quando as coisas começam a andar por maus caminhos, precisamos repensar e encontrar o caminho de volta. Esse livro me tocou muito nesse sentido, a ponto de me fazer refletir minhas próprias atitudes e a das pessoas a minha volta, pois mesmo com tecnologia da mais avançada e recursos infinitos, nós somos pessoas, com sentimentos, com valor e devemos respeitar uns aos outros, independente – e acima – de qualquer coisa.

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A edição deste livro está linda, realmente de parabéns, capa, ilustrações, diagramação, etc., vários detalhes que merecem menção, mas vou me limitar a dizer que ele é todo lindo e ponto, risos. Além das referências super legais ao universo nerd: personagens da literatura como O Pequeno Príncipe, Tom Sawyer, e referências a Star Trek e Sir Arthur Conan Doyle.  A única ressalva que eu tenho é quanto a revisão, que merecia mais atenção por conta dos deslizes de digitação e ortografia. No mais, eu fico muito orgulhosa de ver autores nacionais se arriscando em outros territórios, escrevendo livros de ficção científica, distopia e livros policiais para jovens leitores, voltados para o público e panorama atual da literatura. Fico realmente muito feliz de vê-los fazendo um trabalho tão caprichado e excepcional! Espero que todos possam dar uma chance para para a literatura nacional e acima de tudo, dar espaço para o crescimento de grandes autores e grandes obras, como Redenção.

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Editora: Livros Ilimitados
IBSN: 9788566464504
Gênero: Distopia/Ficção Científica
Páginas: 270
Adicione: Skoob
Minha avaliação:★★★★★

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  • Maria Gabriela Villa julho 8, 2015

    Gostei muito da sua resenha Ju, adoro livros que falam sobre os problemas que temos na nossa sociedade mas de uma maneira mais subliminar. Confesso que pra eu gostar de uma distopia ela tem que ser muito boa, pq não é meu gênero favorito, mas fiquei com vontade de ler esse livro 🙂 só não gostei muito da ilustração da capa ;/
    Beijos

    • Maria Gabriela Villa julho 8, 2015

      Ah, amei as fotos que você tirou para esse post, muito lindas 😀

    • Juliana Cirqueira julho 11, 2015

      Oi Maria!
      Muito obrigaaaada! <3
      Distopias também não são lá meu gênero preferido, mas esse livro mistura vários outros gêneros que eu gosto, triller, policial e ficção científica. 🙂

  • Lola julho 8, 2015

    Que coisa linda essa resenha Ju!
    Conseguiu me conquistar e já vou correr pro Google pra catar esse livro e trazê-lo para minha estante.
    Que lindo a editora investindo em uma edição com um projeto gråfico caprichado *-* Pena que a revisão foi falha né 🙁
    Amei as fotos e o clima do livro ♡
    Beijocas :*

    @pirulitolimao | A Garota da Livraria

    • Juliana Cirqueira julho 11, 2015

      Hahahaha que bom! Muito obrigada, fico muito feliz que tenha gostado das fotos e da resenha! <3
      Beijos!

  • Rafaela Paludo julho 8, 2015

    Que coisa mais maravilhosa essa edição! Confesso que somente pela capa, eu jamais teria imaginado uma história como a que tu descreveu. Adorei a resenha e fiquei bem interessada (pena que o tempo é curto, hehe)! Mas, além da história interessantíssima, o que me atraiu muito é o fato de ter sido escrita por um autor nacional! Temos que apoiar e muito os talentos daqui 🙂

    Parabéns pela resenha, Ju! As fotos também estão lindas ♥

    • Juliana Cirqueira julho 11, 2015

      Oi Rafa!
      Eu também não fui muito com a capa, mas por dentro ele está um espetáculo de capricho e bom gosto! Exatamente, eu tento dar o máximo de apoio possível aos novos autores nacionais através do Nuvem. 🙂
      Obrigada, querida. <3